sábado, 12 de março de 2011

A arte de Presidir



Presidir a assembleia é um dos temas sobre os quais se concentra hoje a atenção seja dos peritos em liturgia seja dos documentos do Papa. O Papa Bento dedicou a segunda parte da Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, de 22 de fevereiro de 2007, à Eucaristia, mistério a ser celebrado. Particularmente, à ars celebrandi foram dedicados cinco números, do 38 ao 42. A ars celebrandi deve ser necessariamente unida, diz o Papa, à participação plena e frutuosa de todos os fieis. “Com efeito, o primeiro modo com que se favorece a participação do Povo de Deus no Rito sagrado é a celebração adequada do próprio Rito” (n. 38). O Bispo, escreve o Papa, “como primeiro dispensador dos mistérios de Deus na Igreja particular a ele confiada, é o guia, o promotor e o guardião de toda a vida litúrgica” (n. 39).

O que o Papa diz sobre o Bispo diocesano pode-se aplicar também a todo presbítero que preside a celebração. “Bispos, sacerdotes e diáconos, cada um segundo o próprio grau, devem considerar a celebração como o seu principal dever” (n. 39). Contudo, lembremos que a ars celebrandi diz respeito não só aos ministros ordenados: o Bispo, o presbítero, o diácono, mas a todos os que exercem um ministério e à própria assembleia que celebra.

Esta minha conferência quer ser uma introdução geral ao tema, útil aos fieis leigos mas sobretudo aos sacerdotes. Na primeira parte do texto são apresentadas algumas indicações gerais sobre o conceito de liturgia que estão na base da ativa participação dos fieis e do ofício de presidir, com particular referência à celebração eucarística. Deixar-nos-emos guiar por alguns princípios da Sacrosanctum Concilium e pela reforma litúrgica pós-conciliar. Deter-me-ei, todavia, mais longamente sobre a arte de presidir a celebração eucarística, convencido que estou que também para os sacerdotes vale o que o Concílio diz mais propriamente para os Bispos: “Do Bispo (do presbítero) deriva e depende de certo modo a vida de seus fieis em Cristo”.[1] Este é o melhor modo de celebrar o Ano sacerdotal.

O Papa Bento XVI, na Carta com que estabeleceu um “Ano sacerdotal” (da solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus de 2009 à solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus de 2010), propôs os ensinamentos e os exemplos de São João Maria Vianney como ponto significativo de referência para compreender o dom e a missão do sacerdócio. Na mesma Carta, foram citadas as palavras deste santo, o qual, depois de falar da celebração dos Sacramentos da parte do sacerdote, afirma: “O padre é o ecônomo do bom Deus”. “O padre não é padre para si, mas sim para vós”. Ser padre significa, portanto, dar glória a Deus no serviço à comunidade cristã. Tais palavras evocam, como foi lembrado acima, as palavras que se leem na Introdução ao Missal Romano: “O sacerdote que... preside a assembleia reunida... deve servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade, e no modo de comportar-se e de pronunciar as palavras divinas deve fazer sentir aos fieis a presença viva de Cristo” (n. 60).

II. UMA MUDANÇA DE MENTALIDADE

Transcorreram já quarenta e cinco anos desde a conclusão do Concílio Vaticano II (8 de dezembro de 1965) e desde a promulgação do primeiro documento conciliar: a Sacrosanctum Concilium (4 de dezembro de 1963). A SC essencialmente não é um conjunto de normas sobre a Liturgia, mas, antes, um documento doutrinal que exige a mudança de mentalidade antes da mudança dos ritos.

1. O conceito de Liturgia segundo o Concílio

A Sacrosanctum Concilium não formula, em primeiro lugar, um conceito de Liturgia, mas indica o que através dela se realiza: “Através da Liturgia se exerce a obra de nossa Redenção”.[2] Mediante a Liturgia, os fieis, portanto, fazem experiência do Mistério pascal de Cristo na sua inteireza. A Constituição então indica os efeitos da Liturgia, a qual “cada dia edifica em templo santo no Senhor, em tabernáculo de Deus no Espírito (cf. Ef 2,21-22) aqueles que estão dentro dela, até à medida da idade da plenitude de Cristo (cf. Ef 4,13)”.[3]

A Liturgia, segundo o Concílio, é o desígnio da salvação realizado por Deus desde a eternidade e progressivamente revelado. Ele tende todo para Cristo Senhor e para a sua “hora” pascal de morte e ressurreição: é ele que, com seus atos humano-divinos, realiza a salvação. Com a celebração do Sacrifício e dos Sacramentos “sobre os quais gira toda a vida litúrgica”,[4] a Igreja, nascida sobre o Calvário e manifestada ao mundo em Pentecostes, estende no tempo e no espaço o que Jesus operou uma vez por todas. Isto é, portanto, a Liturgia, segundo o Concílio: a re-atuação eficaz, nos sinais do Mistério, da salvação.

Surge espontânea uma pergunta: a mais de quarenta e cinco anos do Concílio, quanto somos ainda ligados à noção errada da Liturgia, já reprovada por Pio XII na Mediator Dei: “Não têm uma exata noção da Sagrada Liturgia aqueles que a consideram como uma parte somente externa e sensível do culto divino ou como um cerimonial decorativo... ou como uma mera soma de leis e preceitos com os quais a hierarquia eclesiástica ordena a realização dos ritos”?[5]

Nestes últimos anos, terminado o período da grande renovação dos textos e dos ritos, deveu-se constatar, infelizmente, a difusão de um certo neo-ritualismo. Alguns sacerdotes, passado o entusiasmo da novidade, voltaram a uma celebração de routine, com efeitos piores do que quando se celebrava a assim chamada Missa tridentina. Antes, grande parte da celebração era coberta pela música do órgão, pelos cantos da schola, e quase todos os diálogos eram restritos ao sacerdote e coroinhas/sacristão. Hoje, ao contrário, a celebração está baseada na participação dos fieis e na capacidade de presidir da parte do sacerdote celebrante. Ainda mais recentemente, nota-se em alguns sacerdotes jovens um certo retorno ao formalismo, ao gosto estético como fim em si mesmo, que por vezes termina por distrair do Mistério celebrado mais que deixá-lo transparecer. Pensando em algumas Missas celebradas nos dias de semana em dez minutos, chega-se a duvidar se a Liturgia, nesses casos, é considerada como algo mais do que “uma mera soma de leis e de preceitos que regulam a realização dos ritos...”

2. O primado de Deus na Liturgia
Precisamente porque realização sacramental do Mistério da salvação, a Liturgia é essencialmente teocêntrica. A salvação se desenvolve e se exaure em dois movimentos complementares: a descida de Deus ao homem para santificá-lo e a subida do homem a Deus para glorificá-lo.

Neste duplo movimento, Deus é sempre o primeiro: o primeiro na ordem do tempo, porque dEle provém a força que salva, santifica o homem; o primeiro na ordem do fim, porque a Ele sobe do homem santificado a honra e a glória que Lhe são devidos. Em Deus, portanto – na sua grandeza, na sua onipotência, na sua misericórdia e bondade –, se concentra a Liturgia em todas as suas expressões cultuais.

Também o homem tem aí a sua parte, mas sempre na luz de Deus: o homem é precedido e representado pelo homem Cristo, isto é, por Aquele que, no duplo movimento de descida-subida (cf. 1Tm 3,16) realizou a essência de sua missão redentora. A Liturgia, portanto, é, por sua natureza, cristocêntrica: “Na Igreja, o Cristo continua a sua obra e alcança todo homem de todos os tempos e lugares, para que todos possam ter parte na sua salvação”.[6] Cristo “está presente pela força nos sacramentos, de tal forma que, quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza. Presente está pela sua palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na Igreja. Está presente finalmente quando a Igreja ora e salmodia, Ele que prometeu: ‘Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles’ (Mt 18,20)”.[7]

Na Liturgia, enfim, tudo acontece no Espírito Santo. Pense-se, por exemplo, nas duas epicleses na celebração da Eucaristia: sobre os dons e sobre a assembleia.]
3. Liturgia e Igreja

Recolocada a Liturgia dentro da história da salvação, tornou-se ela experiência fundamental para todos os fieis: a Liturgia edifica a Igreja, expressa-a e a manifesta. As ações litúrgicas, portanto, não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, “sacramento de unidade”, isto é, do povo santo reunido sob a guia do Bispo. Esta realidade doutrinal[8] tem como consequência prática o envolvimento de todo o povo de Deus, hierarquicamente ordenado, no ato celebrativo. A Liturgia, portanto, não é mais reservada ao clero, mas é concelebração de todo o corpo de Cristo nas suas várias componentes.

A eclesiologia de comunhão sublinhada pela SC e pela LG superou a eclesiologia frequentemente ofuscada no passado por várias ideologias, concebida mais como uma organização eficiente, paralela e frequentemente concorrente com outras organizações, como por exemplo a do Estado. Tal eclesiologia expressou no passado uma liturgia clerical, marcada sobretudo por cerimônias exteriores. A liturgia tridentina era condicionada pela necessidade da unidade da Igreja no período da fratura causada pela Reforma Protestante e estava por isso baseada sobre a uniformidade (uso exclusivo da língua latina e inflexibilidade das rubricas), sem nenhuma referência ao povo de Deus. É significativo que, no Missal de Pio V, não se fale jamais de populus, mas só de minister ou ministrante que serve a Missa.

A liturgia do Vaticano II supera estas trincheiras erigidas como salvaguarda da unidade e da identidade da Igreja e apresenta uma liturgia caracterizada pela pluralidade das línguas, pela flexibilidade das rubricas, pela possibilidade de adaptação e aberta à participação do povo de Deus. O envolvimento do povo de Deus no ato celebrativo, segundo a eclesiologia do Concílio, comportou a introdução da língua vernácula, a inserção de algumas aclamações destinadas ao povo, a simplificação de alguns ritos, o restabelecimento de outros, a valorização do ministério da Palavra, o incremento do canto em todas as celebrações, o cuidado reservado às ações, aos gestos e às atitudes do corpo, a valorização do sagrado silêncio, as indicações para a construção dos edifícios de culto e ainda a indicação do celebrar voltado para o povo.

A ativa participação de que fala o Concílio, todavia, não deve ser feita a todo o custo, mas é guiada por uma regra bem precisa: “nas celebrações litúrgicas, cada qual, ministro ou fiel, ao desempenhar a sua função, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete”.[9] Os membros da assembleia não devem pensar que sua participação na liturgia depende da quantidade de tarefas que conseguem desenvolver, mas unicamente do bom cumprimento do ofício que compete a cada um. Também o sacerdote que preside a celebração, portanto, não deve fazer tudo, mas limitar-se àquilo que lhe cabe.

4. A Liturgia, ação divino-humana
Como “naquele tempo” Deus entrou em contacto com os homens através da humanidade de Jesus – “Toda a multidão procurava tocá-lo, porque dele saía uma força que curava a todos” (Lc 6,19) –, assim a salvação realizada por Jesus nos é comunicada, no “hoje” da celebração, através de palavras e gestos rituais. A Igreja, como a sua Liturgia, é a Igreja de hoje, não a do passado ou do futuro: toda celebração é ação de Deus, mas feita acontecer entre nós por pessoas concretas. A Liturgia, portanto, é obra de Deus e obra da Igreja, santo comércio e diálogo interpessoal entre o divino e o humano: “a Liturgia é ponto de encontro, em Cristo, de Deus que santifica a Igreja e da Igreja que presta seu culto a Deus”.[10]

De um lado, através da ação de Deus, a presença do Ressuscitado garante a validade objetiva das celebrações litúrgicas; de outro, a ação do homem, e por isto a linguagem comunicativa, torna frutuosos os ritos e as palavras da Liturgia. “A Liturgia é para o homem e, enquanto obra de Cristo e da Igreja, é o lugar em que o divino e o humano entram em contato entre si, para que o divino salve o que é humano e o humano adquira dimensão divina”.[11]

III. A TAREFA DE PRESIDIR A ASSEMBLEIA

A Introdução geral ao Missal Romano (nn. 59-60) trata dos ofícios e ministérios da Ordem sagrada e dá as indicações fundamentais sobre o ofício de presidente da Eucaristia: “O sacerdote que... preside a assembleia reunida... deve servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade, e, no modo de comportar-se e de pronunciar as palavras divinas, deve fazer sentir aos fieis a presença viva de Cristo” (n. 60). Outras indicações particulares estão contidas nos diversos capítulos dos Princípios e Normas para o uso do Missal (nn. 11, 73, 297-298) e na Introdução ao Lecionário (n. 38).

1. Um sacerdócio único para o culto

No Novo Testamento, o termo sacerdote é referido a Cristo, a todo o povo de Deus e jamais a uma pessoa individual. “Vós sois a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo que Deus adquiriu para si, para anunciar a todos suas obras maravilhosas” (1Pd 2,9; cf. Ex 19,5-6; Is 43,20-21; Ml 3,17). Na Igreja, o sacerdócio é único; duas são, todavia, as modalidades de participação no único sacerdócio: o sacerdócio dos fieis e o sacerdócio ministerial, ambos necessários. Eles não estão em contraposição, mas devem ser harmonizados e equilibrados entre si. O sacerdócio dos fieis é participação no sacerdócio de Cristo e, na base deste, todos os batizados têm a possibilidade e o direito de exercer o culto agradável a Deus: isto é, eles são “pedras vivas para construir o edifício espiritual, para um sacerdócio santo, para oferecer os sacrifícios agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo” (1Pd 2,5). O sacerdócio dos fieis habilita, portanto, os batizados a exercer o culto litúrgico.

O sacerdócio ministerial mediante o Sacramento da Ordem configura a Cristo na sua qualidade específica de cabeça e pastor de seu povo. O sacerdócio ordenado, portanto, está a serviço do sacerdócio comum dos fieis. Neste sentido, não se deveria jamais esquecer a dupla perspectiva que fundamenta o sacerdócio ministerial: o sacerdote representa sacramentalmente o Cristo pastor, “o único mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2,5), o Cristo que reúne e conduz seu povo, mas representa também a Igreja, ao serviço da qual ele realiza sua ação.

A Igreja sem o ministro ordenado encontra-se desprovida do sinal-presença de Cristo-cabeça; e sem o sacerdócio batismal falta-lhe o sinal-presença de Cristo-membros. Os fieis, portanto, têm o direito e o dever de participar das celebrações, precisamente porque “as ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja... pertencem a todo o Corpo da Igreja e o manifestam e afetam”.[12] Sendo a Igreja constituída por diversas ordens e ministérios, a partir do Concílio emergiram também na celebração vários ofícios e ministérios do povo de Deus, com tarefas específicas de serviço: acólitos, leitores, cantores, coroinhas, encarregados do acolhimento, animadores.

A “actuosa participatio”

Antes de falar da tarefa de serviço à comunidade desenvolvida pelos vários ofícios e ministérios e sobretudo por aquele que preside, desejo inserir um parêntese e dar alguns esclarecimentos acerca da ativa participação dos fieis na liturgia, sobre a qual tanto insistiu o Concílio. A redescoberta do Sacerdócio único para o culto, como acabamos de acenar, está na base da “ativa participação” (actuosa participatio) na liturgia. É importante recordar que o conceito de participação mudou profundamente a partir do Concílio. Antes, ele estava essencialmente ligado não ao rito, mas ao estado de ânimo dos fieis. Assim, aqueles que não queriam seguir a ordem da liturgia podiam participar do sacrifício eucarístico “de outra maneira... como, por exemplo, meditando piamente os mistérios de Jesus Cristo, ou realizando exercícios de piedade e fazendo outras orações, que, embora diferentes, na forma, dos ritos sagrados, a eles todavia correspondam por sua natureza”.[13] Este assim chamado paralelismo participativo foi superado pela Sacrosanctum Concilium, que prevê uma única modalidade de participação, per ritus et preces.[14]

Não é, portanto, possível ter uma bela liturgia se não há ativa participação nos textos e ritos que se realizam. É conveniente, além disso, recordar que a actuosa participatio inclui vários âmbitos de participação. A participação deve ser: consciente (aspecto intelectual); ativa (aspecto corporal: todo o corpo deve ser envolvido segundo as modalidades do rito); piedosa (o aspecto das emoções partilhadas). As ações litúrgicas, com efeito, não nos devemos jamais cansar de repetir, “não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é o ‘sacramento da unidade’, isto é, o povo santo, unido e ordenado sob a direção dos Bispos. Por isso estas celebrações pertencem a todo o Corpo da Igreja e o manifestam e afetam; mas atingem a cada um dos membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, ofícios e da participação atual”.[15] Com estas palavras é afirmado o motivo teológico da participação ativa dos fieis[16] e do primado da celebração comunitária[17] frente a outros modos de viver e celebrar a liturgia. Se não se participa deste modo do rito sagrado, hoje se corre infelizmente o perigo de ceder também na liturgia à cultura individualista dominante, em que a liberdade de iniciativa de cada um dos membros tende a prevalecer sobre a participação comunitária. Corre-se, portanto, o risco de um retorno à mentalidade de considerar as ações litúrgicas como ações privadas e não como celebrações que manifestam e afetam todo o corpo da Igreja (cf. SC, 26).

Além disso, é evidente que a “actuosa participatio”, que se exerce numa pluralidade de formas (no comportamento, na palavra e no gesto, no canto, no silêncio, na contemplação), não pode ser confundida com um “ativismo” puramente exterior. Ao contrário, ela é fruto de uma sincera adesão de fé à pessoa e à mensagem do Senhor Jesus; é suscitada e sustentada pelo Espírito Santo, aquele mesmo Espírito que consagrou o Verbo encarnado, desde o seio de sua Mãe,[18] Sumo Sacerdote da Nova Aliança e que é prodigalizado nos sacramentos do Batismo e da Confirmação, para que todo fiel seja distinguido pelo “sacerdócio real” e faça da própria vida um culto agradável a Deus.[19]

2. A tarefa específica daquele que preside
No contexto litúrgico-eclesial da pluralidade de ofícios e ministérios, coloca-se o papel específico do presidente da celebração. A ele cabe coordenar e estimular a participação dos fieis na celebração, de modo que constituam uma verdadeira comunidade que celebra.

a) Algumas características do múnus de presidir

Fazer sentir a presença de Cristo
Como diz o n. 60 da Introdução ao Missal, quem preside deve antes de tudo “fazer sentir a presença viva de Cristo”. Os presbíteros têm, portanto, uma missão que é totalmente relação; por si nada podem fazer: eles são e permanecem somente servos e, enquanto tais, não devem jamais colocar em primeiro plano a si mesmos e suas opiniões, mas somente o Kyrios, Jesus Cristo! Como João Batista, devem saber diminuir diante do Senhor (cf. Jo 3,30) e, sobretudo na presidência eucarística, não devem erigir-se em protagonistas da ação litúrgica.

Animar a oração litúrgica não significa, portanto, provocar a todo custo nos fieis uma participação só exterior, mas conduzi-los a participar intimamente do Mistério da morte e da ressurreição do Senhor. Em tal perspectiva, é importante evitar a inflação das palavras, dos gestos, da música, e promover, ao contrário, o recolhimento, dar espaço a momentos de silêncio. Só deste modo poder-se-á favorecer a oração e a contemplação de toda a assembleia.

Mas devemo-nos perguntar: quando se pode dizer que uma Eucaristia é “bem celebrada”? A experiência me ensinou que uma Eucaristia é bem celebrada antes de tudo quando se deixa que a celebração eucarística seja simplesmente e nada mais do que uma celebração eucarística. Este é na realidade o primeiro ato de obediência à ordem eucarística do Senhor: “Fazei isto em memória de mim”. Isto é, é necessário deixar que a celebração eucarística seja nem mais nem menos do que o Senhor Jesus na última Ceia quis que fosse: memorial da sua morte e ressurreição. Às vezes, infelizmente, tem-se a impressão que a celebração do grande mistério da Eucaristia se torna uma espécie de grande recipiente em que cada um pode colocar o que quer. Torna-se então uma escola para quem quer ensinar; um lugar de encontro para quem quer agregar; um espetáculo para quem quer seduzir com efeitos especiais...

Em outras palavras, a liturgia é certamente festa, mas “festa da fé” e não festa mundana com formas e linguagens mundanas. “Descobrimos a íntima riqueza da liturgia da Igreja e sua verdadeira grandeza: não somos nós a fazer festa para nós, mas é, ao contrário, o próprio Deus vivo a preparar para nós uma festa”.[20] Sim, a Eucaristia é o memorial do Sacrifício de Cristo e, portanto, é toda a vida do Filho unigênito, e se alteramos algo dela e comprometemos a celebração, na realidade comprometemos não simplesmente um rito, mas uma vida, a vida de Cristo Senhor. Deixar que a celebração eucarística seja só e nada mais do que uma celebração eucarística significa, portanto, respeitar sua natureza e a finalidade que o próprio Senhor quis que tivesse.

Cabe sobretudo aos ministros ordenados, chamados a presidir a celebração, empenhar-se na não fácil tarefa de ser mistagogos. Só se nós por primeiro soubermos viver o que celebramos seremos capazes de ajudar outros a entrar na compreensão do próprio mistério. Devemos, todavia, ter presente que “o objeto da mistagogia não é o rito em si, mas o evento de salvação que através do rito se celebra. Como as Escrituras, que escondem sob a casca da graphé um sentido espiritual, do mesmo modo a liturgia esconde, sob a casca do érgon, da ação, do texto, do rito, um sentido espiritual. O rito é para a liturgia o que a letra é para as Escrituras. Por isso, a liturgia, como as Escrituras, exige uma leitura e uma inteligência espiritual. O que significou para as Escrituras o retorno, depois de séculos, à Lectio divina, será para a liturgia o retorno, depois de séculos, da mistagogia”.[21]

Servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade
Presidir significa superar a espiritualidade prevalentemente individualista. O sacerdote deve ser santo não tanto para si quanto para a comunidade; ele é padre sobretudo na medida em que se dedica ao serviço da comunidade. Tal dedicação constitui a fonte da espiritualidade sacerdotal do clero diocesano: “os presbíteros são chamados à santidade por força do ministério e das mesmas sagradas ações que realizam quotidianamente”.[22] Eles se santificam ao exercer o munus a que foram chamados.

O Papa Bento XVI nos convida a “entrar com a nossa mens na vox da Igreja... Na medida em que interiorizamos esta estrutura [da oração], compreendemos esta estrutura, assimilamos as palavras da liturgia, podemos entrar nesta consonância interior e assim não só falar com Deus como pessoas individuais, mas entrar no ‘nós’ da Igreja que ora. E assim transformar também o nosso ‘eu’, entrando no ‘nós’ da Igreja, enriquecendo, alargando este ‘eu’, rezando com a Igreja, com as palavras da Igreja, estando realmente em colóquio com Deus”.[23]

A Introdução ao Missal fala daquele que preside como um que serve com humildade. O presidente da celebração deve, por isso, considerar-se irmão entre os irmãos, ouvinte entre ouvintes da Palavra, intérprete e anunciador da mesma Palavra, aquele que deve comunicar aos outros o dom que recebeu primeiro. O presbítero deve ter consciência de ser um instrumento nas mãos do Senhor e não um ator em primeira pessoa. Ele deve saber estar no seu lugar, sem tornar-se único protagonista da celebração. Como já acenei, o protagonismo pode, com efeito, ser uma grande tentação para quem tem a tarefa de reger uma ação como a ação litúrgica, facilmente exposta ao risco de transformar-se em “espetáculo”. Isto ocorre quando a própria piedade e os dons pessoais são enfatizados e expostos: em tal caso, os gestos litúrgicos não narram mais a ação de Deus, mas tornam-se ação de quem os realiza. Se da parte do presbítero há excesso de expressão sentimental ou quando se confia demasiadamente na inspiração pessoal, chega-se a cair no exibicionismo, que transforma a Liturgia em “teatro”, em cena religiosa mundana. Neste caso acontece, infelizmente, que quem preside acaba por seduzir, por atrair a si, pervertendo a Liturgia no seu escopo, que é o de educar, isto é, de levar a Cristo e, através dele, a Deus Pai, graças à ação do Espírito Santo, e não de levar à admiração suscitada por quem celebra. É neste sentido que Bento XVI escreve: “Recomendo ao clero que aprofunde sempre mais a consciência do próprio ministério eucarístico como humilde serviço a Cristo e à Igreja”,[24] e recorda que o ministério é amoris officium, “ministério de amor”, segundo a expressão de Santo Agostinho.[25]

Presidir significa, portanto, estar diante da assembleia com a própria pessoa, os próprios gestos, as atitudes, as palavras, os movimentos. Quem preside deve ter a qualidade da dignidade: estar consciente da importância da ação que realiza, ter o sentido da celebração, da proclamação de um texto, ter uma gestualidade apropriada, decoro no porte e na pessoa, conhecimento concreto da comunidade dos fieis, conhecimento pastoral, histórico e teológico da ação litúrgica, ter o sentido da relação entre o gesto, a palavra e a ação, ter o gosto do belo...

Nós sacerdotes deveríamos sempre ter presente que o Sacramento da Ordem nos configura a Cristo na sua qualidade específica de cabeça e pastor do seu povo. Isto é, devemos ter presente a dupla perspectiva que fundamenta o sacerdócio ministerial: o sacerdote representa sacramentalmente o Cristo pastor, “o único mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2,5), o Cristo que reúne e conduz seu povo, mas que também representa a Igreja, a serviço da qual ele realiza sua ação. “Ao Bispo é preparado um assento mais elevado, porque toca a ele vigiar, isto é, proteger, o povo. De fato, ‘bispo’ é um termo grego que em latim se deveria traduzir como ‘vigia’, isto é, um que de cima observa e vê do alto... Quando se está num posto elevado como este, começa a tornar-se perigosa a prestação de contas. É necessária tal disposição que, embora colocados aqui em cima, em virtude da humildade sintamo-nos sob os vossos pés, e ao mesmo tempo rezemos por vós...”.[26]

A presidência litúrgica
Aquele que preside diante da assembleia não só é visto, mas também aprovado e julgado no desenvolvimento de seu papel, que se desenvolve em “Persona Christi”. E todavia tal presidência não pode ser exercida sem considerar a qualidade da assembleia e sem ser capaz de responder às expectativas do povo de Deus: aquele que preside, com efeito, de algum modo preside também em “Persona Ecclesiæ”. Quando preside, o presbítero age em nome de Cristo, é ícone de Cristo, assim como age também em nome da Igreja, como representante oficial e porta-voz da comunidade. Ele não é uma simples pessoa privada, mas sua ação em nome da Igreja não substitui a participação ativa da assembleia; antes, deveria torná-la possível, porque a Liturgia permanece, em todo caso, uma ação comum: quando preside a Liturgia, o presbítero não se esqueça que os fieis não são chamados em assembleia para “ver”, mas para “agir junto”, para celebrar junto.

Sendo avesso a toda forma de protagonismo, o presbítero, plasmado pelo autêntico espírito da Liturgia, presidirá a synaxis “como aquele que serve” (Lc 22,27), à imagem dAquele do qual ele é um pobre sinal. Por isso, a qualidade da presidência litúrgica, na sua forma mais alta e fecunda, irá bem além de uma simples arte de presidir, de um mero savoir faire, para tornar-se princípio de comunhão, na íntima consciência de que o conjunto dos dons do Espírito Santo se encontra unicamente no conjunto da Igreja. Em outras palavras, na celebração eucarística, o presbítero deve ter uma consciência profunda e clara do seu “ser sinal”. Precisamente por isso ele traz as vestes litúrgicas escolhidas, que são em si “linguagem”, veiculam mensagens necessárias à plenitude da celebração. Quando o presbítero entra na assembleia eucarística, não entra como um fiel qualquer, porque ele é sinal do Cristo que vem em meio aos seus; é sinal do Cristo quando prega a Palavra do ambão; é sinal do Cristo quando parte o pão eucarístico... Há um modo de caminhar, de sentar-se, de falar, de fazer gestos que, se permanece inscrito na banalidade dos gestos comuns e quotidianos, não é sinal, antes, cria obstáculo à possibilidade de “ver além” da parte de quem participa da Liturgia.

Presidir significa, além disso, relação e diálogo; implica, portanto, a comunidade como ponto de referência, comunidade composta por colaboradores, como os leitores, os acólitos, os coroinhas, os cantores. “Do ‘eu’ do presbítero ao ‘nós’ da Igreja, esta é a ação formativa da liturgia, que torna o presbítero capaz de presidir a oração da Igreja. Ao presbítero, portanto, não é pedido só que seja um homem de oração: isto é pedido a todo cristão. Ao presbítero se pede também que seja capaz de presidir a oração da Igreja, que seja servo da Ecclesia orans. Isto não significa simplesmente “fazer rezar” uma assembleia, mas conduzir a assembleia à oração através da oração da Igreja”.[27]

“Um presidente que se agita no altar, que observa tudo (e o deixa ver), que repreende e reprova, que vai de um lado para o outro do presbitério para realizar funções que não lhe competem (acender e apagar luzes, mudar de lugar microfones, inserir discos, trazer cálice e patena ao altar etc) não é um bom presidente”.[28]

Presidir envolve também outros elementos que contribuem para a expressividade e o diálogo: as vestes sagradas, as toalhas do altar, a luz, as flores, os objetos necessários e os livros litúrgicos. Estes elementos frequentemente falam por si, antes mesmo das palavras. Limpeza, ordem, vestes apropriadas, luminosidade do ambiente, boa amplificação do som, flores dispostas com gosto, constituem já as boas vindas aos fieis que entram na Igreja e um convite a ali retornar. Ao contrário, um serviço descuidado, vestes sujas e desarrumadas, leitura sem cuidado e corrida, velas tortas, cadeiras em desordem, pó, paredes deterioradas, não constituem um convite a retornar à Igreja.

A presidência não se exerce só no curso da celebração, mas se deve iniciar na preparação para a celebração: “a preparação prática a cada celebração litúrgica seja feita de comum acordo entre todos os envolvidos respectivamente na parte ritual, pastoral e musical, sob a direção do reitor da Igreja, sendo ouvido também o parecer dos fieis para aquelas coisas que lhes dizem diretamente respeito”.[29] A celebração litúrgica, com efeito, exige a harmonia das várias componentes: liturgia da Palavra e liturgia Eucarística, presidência e ministerialidade, palavras e gestos, canto e silêncio, respeito às rubricas e sentido de adaptação, comunidade e indivíduo, participação em silêncio e participação nos gestos e palavras, oração pessoal e oração de toda a assembleia. Isto exige uma atenta e cuidadosa preparação, porque uma celebração não preparada e feita com pressa se reduz frequentemente a um puro ritualismo formal.

A presidência, todavia, se exerce sobretudo no curso da celebração. Presidir uma celebração não significa só ocupar o posto reservado àquele que preside, nem cumprir com escrúpulo as rubricas. Presidir significa fazer-se intérprete e mediador da comunidade, coordenar os vários ofícios e ministérios, de modo que tudo se desenvolva em ordem e deixe transparecer o equilíbrio entre o divino e o humano. Aquele que preside deve-se tornar ele mesmo, através das palavras e dos gestos da fé, sinal que deixa intuir a presença do divino. Em síntese, o ofício de presidir não consiste principalmente na eficiência, mas em dar glória a Deus e edificar a comunidade cristã.

Permito-me, neste ponto, dar algumas explicações acerca da ars celebrandi, de que hoje tanto se fala. É verdade que, nos últimos decênios da atuação da reforma, pouco se meditou na ars celebrandi e pouco dela nos ocupamos: desse modo, porém, ocorreu um empobrecimento da liturgia... E quando não há mais, sobretudo naquele que preside, a atenção, o cuidado, para que emerja aquela beleza que é sempre eloquência eficaz do gesto e da palavra, então aparecem o mecanismo do celebrar, a recitação de um texto ao qual não se adere, a cantilena, uma repetição de ações sem que se seja sujeito capaz de dar-lhes força e comunicação; em tal caso, no sacerdote não há mais autoridade, mas nele prevalece o aspecto do funcionário, do operário, de quem faz alguma coisa por profissão e função, mas sem convicção. Isto é, a arte de celebrar, de que hoje tanto se fala, deve ser entendida antes de tudo como arte de promover, per ritus et preces, a actuosa participatio na celebração da parte de toda a assembléia. Evidentemente, ela inclui também o respeito às rubricas, mas não pode ser reduzida à arte da sua simples, exata e mecânica execução. Se fosse assim, constituiria um retorno ao primado, na liturgia, da fria execução das rubricas que caracterizou o período que precedeu a reforma litúrgica.

b) Empenho permanente da pastoral litúrgica
Reforma litúrgica e reforma da Igreja
As disposições da Sacrosanctum Concilium foram realizadas com a publicação dos livros litúrgicos e com oportunas indicações; e realmente se pode dizer que – assim escrevia João Paulo II – “os Pastores e o povo cristão, na sua grande maioria, acolheram a reforma litúrgica em espírito de obediência, antes, de alegre fervor. Por isso devemos dar graças a Deus pela passagem do seu Espírito na Igreja, tal como foi a renovação litúrgica”.[30] “A reforma da liturgia querida pelo Concílio Vaticano II – são ainda palavras de João Paulo II – pode ser considerada já posta em ato; a pastoral litúrgica, ao contrário, constitui um empenho permanente para haurir sempre mais abundantemente, da riqueza da liturgia, aquela força vital que do Cristo se difunde aos membros do seu corpo, que é a Igreja”.[31]

As verdadeiras dificuldades da Liturgia para hoje e para amanhã não dizem respeito mais principalmente “ao ordenamento dos textos e dos ritos”.[32] É necessário recordar que o Concílio se tinha proposto quatro precisos objetivos: o crescimento da vida cristã; o “aggiornamento” das instituições eclesiais às exigências do nosso tempo; a unidade de todos os que creem em Cristo e, por isto, o ecumenismo; a chamada de todos ao seio da Igreja e, por isto, a missão. Para atingir estes quatro objetivos, o Concílio julgou “ser seu dever cuidar de modo especial da reforma litúrgica e do incremento da Liturgia”.[33] A reforma da Liturgia não foi, portanto, querida e atuada como simples reforma de ritos, mas como fundamento e inspiração para chegar aos escopos a que o Concílio se propusera. Por isso, segundo penso, o fim da Liturgia é o próprio fim da Igreja, o futuro da Liturgia é o futuro do cristianismo e da nossa vida cristã. E isto precisamente porque, recordam-nos os Padres do Concílio, “a Liturgia é o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força”.[34]


IV. CONCLUSÃO

O ato de presidir as celebrações litúrgicas oferece aos sacerdotes muitos elementos de reflexão não só para aprofundar o significado do Ano sacerdotal, mas para vivê-lo mais intensamente. O Papa, na sua carta, não indicou aos sacerdotes atos particulares a realizar, mas sublinhou algumas ideias de fundo que devem guiar a vida sacerdotal: viver a total identificação com o próprio ministério; desenvolver a colaboração com os fieis leigos, com os quais os presbíteros formam um único povo sacerdotal; dar um forte testemunho evangélico penetrado pela Palavra, isto é, realizar um novo estilo de vida; viver a comunhão com o próprio bispo, que se exprime na concelebração eucarística etc. É, portanto, desenvolvendo o próprio ministério em toda a sua riqueza e intensidade, precisamente a partir da presidência das celebrações litúrgicas, que o sacerdote é convidado a celebrar o Ano sacerdotal. Certamente, trata-se de um ano determinado, que tem um início e um fim no tempo, mas, como ideal de vida, permanece convite aberto para toda a vida do sacerdote. O ano sacerdotal se vive, portanto, celebrando o ano litúrgico da Igreja com maior intensidade. A celebração do Ano sacerdotal, com efeito, não se realiza através da organização de celebrações extraordinárias ou de grandes eventos.

As celebrações do ano litúrgico permanecem, portanto, a fonte e o cume da vida da Igreja e do sacerdote. “Bispos, sacerdotes e diáconos, escreve o Papa, cada um segundo o próprio grau, devem considerar a celebração como seu principal dever”.[35]

Olhar para a frente
“Nossa recomendação é esta – dizia o Papa Paulo VI, em 1º de março de 1965, na vigília da primeira atuação da reforma litúrgica –: dedicai sumo cuidado... ao conhecimento, à explicação, à aplicação das... normas com que a Igreja quer... celebrar o culto divino. Não é fácil; é delicado; exige empenho direto e metódico: exige a vossa assistência pessoal, paciente, amorosa, verdadeiramente pastoral. Trata-se de mudar tantos hábitos, ... trata-se de incrementar uma escola mais ativa de oração e de culto em cada assembleia de fieis, ... trata-se, em uma palavra, de associar o povo de Deus à ação litúrgica sacerdotal. Repitamos: é difícil e delicado; mas acrescentemos: é necessário, obrigatório, providencial, renovador. E esperamos também: consolador... São necessários anos..., mas devemos começar, recomeçar, perseverar, para conseguir dar à assembleia sua voz grave, unânime, doce e sublime”.[36]

É uma “entrega” sempre atual para a pastoral litúrgica; é um convite a olhar para frente e a continuar com entusiasmo o caminho iniciado no Concílio
  † Piero Marini
Arcebispo Responsável pelos Congressos Eucarísticos Internacional
Ex Mestre de Cerimonias Liturgicas da Casa Pontifícia



[1] Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 41; cf. Decreto conciliar Christus Dominus, n. 15. [2] Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 2. [3] Ibid. [4] Ibid., n. 6. [5] Pio XII, Encíclica Mediator Dei, n. 38 (20.11.1947), Primeira parte, II (Pio XII, Enchiridion delle encicliche, EDB, Bologna 1995, n. 454). [6] Celebrare in spirito e verità, Sussidio teologico-pastorale per la formazione liturgica, editado pela Associazione Professori e Cultori di Liturgia, CLV - Ed. Liturgiche, Roma 1992, n. 9. [7] Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 7. [8] Cf. Constituição conciliar Lumen Gentium (21.11.1964), nn. 10-11. [9] Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 28. [10] C. Vagaggini, Il senso teologico della liturgia, Paoline, Roma 1965, p. 37. [11] Nota pastoral da Comissão Episcopal para a Liturgia a 20 anos da Constituição conciliar «Sacrosanctum Concilium» (1983), Il rinnovamento liturgico in Italia, n. 23. [12] Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 26. [13] Enciclica Mediator Dei, n. 90. [14] Cf. Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, nn. 48, 21. [15] Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 26. [16] Cf. Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, nn. 30-31. [17] Cf. Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 27. [18] Cf. Santo Agostinho, De Trinitate, XV, 46: CCL 50A, pp. 526-527. [19] Missale Romanum Vat. II, Sabbato post Dominicam II Paschæ, s.o.; Sollemnitas sanctissimæ Trinitatis, s.o. [20] Bento XVI, Homilia da Santa Missa na conclusão da jornada mundial da juventude em Colônia, L’Osservatore Romano, 22-23 de agosto de 2005, p. 11. [21] G. Boselli, Presbiteri formati dalla Liturgia, in Rivista del Clero Italiano, n. 3, março de 2007, p. 201. [22] Decreto conciliar Presbyterorum Ordinis (7.12.1965), n. 12. [23] Bento XVI, Dialogo con i sacerdoti, Castelgandolfo, 31 de agosto de 2006, in Notitiæ, 479-480 (2006), pp. 277-296, p. 288. [24] Bento XVI, Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis (22.2.2007), n. 23. [25] Santo Agostinho, In Iohannem 123,5. [26] Santo Agostinho, Explanação sobre os Salmos 126,3. [27] G. Boselli, Presbiteri formati dalla Liturgia, in Rivista del Clero Italiano, n. 3, março de 2007, pp. 199-200. [28] Celebrare in spirito e verità, Sussidio teologico-pastorale per la formazione liturgica, editado pela Associazione Professori e Cultori di Liturgia, CLV - Ed. Liturgiche, Roma 1992, n. 138. [29] Princípios e Normas para o uso do Missal Romano, n. 73. [30] João Paulo II, Carta Apostólica Vicesimus quintus annus (4.12.1988), n. 12. [31] Ibidem, n. 10. [32] Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 21. [33] Ibid., n. 1. [34] Ibid., n. 10. [35] Bento XVI, Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis, n. 39. [36] Paulo VI, «Discurso ao clero de Roma para a Quaresma», in L’Osservatore Romano, 1-2 de março de 1965, p. 1.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Quarta - Feira de Cinzas e Quaresma




Origem

A imposição das cinzas nos recorda que nossa vida na terra é passageira e que nossa vida definitiva se encontra no Céu.

A Quaresma começa com a Quarta-feira de Cinzas e é um tempo de oração, penitencia e jejum. Quarenta dias que a Igreja marca para conversão do coração.
Antigamente os judeus costumavam cobrir-se de cinzas quando faziam algum sacrifício e os nivitas usavam as cinzas como sinal de seu desejo de conversão de uma vida vivida no caminho do “mal” para uma vida com Deus.

Nos primeiros séculos da Igreja, as pessoas que queriam receber o Sacramento da Reconciliação na quinta-feira Santa, colocavam cinzas na cabeça e se apresentavam ante à comunidade vestidos com um “habito penitencial”. Isto representava sua vontade de converter-se.

No ano de 384 d.C., a Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos e desde o século XI, a Igreja de Roma impõem cinzas ao iniciar os 40 dias de penitencia e conversão.

As cinzas que se utilizam são obtidas queimando-se as palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Isto nos recorda que o que foi sinal de glória se reduz a nada.

Também, foi usado o período da Quaresma para preparar os que iam receber o Batismo na noite de Páscoa, imitando Cristo em seus 40 dias de jejum.

A imposição das cinzas é um costume que nos recorda que algum dia vamos morrer e que nosso corpo se converterá em pó.

Nos ensina que todos os bens materiais que temos aqui, se acabam. Na mudança, todo o bem que temos em nossa alma vamos levar para a eternidade. Ao final de nossa vida, somente levamos aquilo que fizemos em nome de Deus e pelos nossos irmãos.

Quando o sacerdote nos impõe as cinzas, devemos ter uma atitude de querer melhorar, de querer ter amizade com Deus. As cinzas se impõem às crianças e adultos.


Significado do carnaval no início da Quaresma

A palavra carnaval significa adeus à carne e sua origem remota os tempos antigos nos quais por falta de métodos de refrigeração adequados, os cristãos tinham a necessidade de acabar, antes do inicio da Quaresma, com todos os produtos que não podiam consumir durante esse período (não somente carne, mais também leite, ovos, etc.)

Com este pretexto, em muitas localidades se organizam na terça-feira anterior à quarta-feira de cinzas, festas populares chamadas de carnavais nos quais se consumiam os produtos que podiam estragar durante a Quaresma.

Muitos logo começaram a degenerar o sentido do carnaval, convertendo-o em um pretexto para organizar grandes comilanças e praticarem todos os atos dos quais se “arrependeriam” durante a Quaresma, marcadas por uma série de festejos e desfiles nos quais exaltavam os prazeres da carne de um modo exagerado, da mesma maneira que continua acontecendo atualmente nos carnavais de algumas cidades, como no Rio de Janeiro, Salvador ou New Orleans (Estados Unidos),


O jejum e a abstinência

A quarta-feira de cinzas e a Sexta-feira Santa são dias de jejum e abstinência. O jejum consiste em comer somente uma refeição reforçada ao dia e a abstinência de comer carne. Este é um modo de pedir perdão a Deus por ofende-lo e dizer-lhe que queremos mudar de vida para agrada-lo sempre.


A oração

A oração neste tempo é importante, nos ajuda a estar mais próximo de Deus para mudar o que necessitamos mudar em nosso interior. Necessitamos nos converter, abandonando o pecado que nos afasta de Deus. Mudar nossa forma de viver para que Deus seja o centro de nossa vida. Somente na oração encontramos o amor de Deus e a doce e amorosa exigência de sua vontade.

Para que nossa oração tenha frutos, devemos evitar:

A hipocrisia – Jesus não quer que oremos para chamar a atenção dos outros com nossa atitude exterior. O que importa é nossa atitude interior.


A dispersão – Isto quer dizer que devemos evitar as distrações quando oramos. Devemos preparar nossa oração, o tempo e o lugar onde vamos orar para podermos nos colocar na presença de Deus.


A multiplicidade das palavras – Isto que dizer que não se trata de falar muito ou repetir orações de memória, mais escutar Deus. Na oração nos encontramos com Ele; com nossos desejos, nossas intenções e nossas necessidades. Por isso não necessitamos dizer muitas coisas. A sinceridade que usamos deve sair do fundo de nosso coração, porque a Deus não se pode enganar.


O sacrifício

Ao fazer algum sacrifício, devemos faze-lo com alegria, já que é por amor a Deus. Se não for assim, causaremos lastima e compaixão e perderemos a recompensa da felicidade eterna. Deus é o que vê nosso sacrifício desde o céu e é quem vai nos recompensar.

“Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6,6)


A Virgem Maria em sua vida teve que levar a cabo muitos sacrifícios e o fez com muita alegria e amor a Deus.

Papa Bento XVI, fala aos Coroinhas



VATICANO, 02 Ago. 06 (ACI) .- Durante uma audiência geral particular, diante de mais de 40 mil coroinhas da Europa, o Papa Bento XVI pediu aos jovens servidores do altar estar abertos à possibilidade do chamado à vocação sacerdotal.

O Pontífice iniciou recordando que “faz mais de 70 anos, em 1935, comecei como coroinha”; e explicou que é “o Espírito Santo quem sustenta a vossa relação com Jesus, de maneira que não seja só externa”.

“Hoje, vendo-vos aqui diante de mim na Praça de São Pedro –continuou o Santo Padre–, penso nos Apóstolos e escuto a voz de Jesus que vos diz: ‘Não vos chamei servos, senão amigos: permanecei em meu amor, e dareis muito fruto”.

“Vos convido: Escutai esta voz! Cristo não o disse só faz dois mil anos; Ele está vivo e vo-lo diz agora. Escutai esta voz com grande disponibilidade; tem algo para vos dizer a cada um”, adicionou.

“Talvez –continuou– a algum de vós vos esteja dizendo: ‘quero que me sirva de maneira especial como sacerdote convertendo-se assim em minha testemunha, sendo meu amigo apresentando aos outros esta amizade’”.

O Pontífice exclamou logo: “Queridos coroinhas, Vós sois já apóstolos de Jesus! Quando participais da Liturgia realizando o vosso serviço no altar, vós ofereceis um testemunho. A vossa atitude de recolhimento, vossa devoção que parte do coração e se expressa nos gestos, no canto, nas respostas: se o fizerdes de maneira correta e sem distrações, nem de qualquer jeito, então o vosso é um testemunho que comove aos homens”.

Bento XVI assinalou depois que os coroinhas estão “muito perto de Jesus Eucaristia, e este é o maior sinal de sua amizade”. “Por isso vos peço: não vos habitueis a este dom, de tal forma que não se converta em uma sorte de rotina, sabendo como funciona e fazendo-o automaticamente, pelo contrário deveis descubrir cada dia novamente que acontece algo grande, que o Deus vivente está em meio de vós, e que podeis estar perto para ajudar a que vosso ministério seja celebrado e chegue às pessoas”.

O Papa destacou que, desta forma “sereis verdadeiramente seus apóstolos e produzireis frutos de bondade e de serviço em cada âmbito de vossa vida: na família, na escola, no tempo livre”.

“Queridos coroinhas, minhas últimas palavras são: sede sempre amigos e apóstolos de Jesus Cristo!“, concluiu.

São Domingos Sávio: o mais jovem santo não mártir da Igreja



Falecendo com apenas 15 anos, aliou inocência e pureza angélicas à sabedoria de homem maduro, alcançando a heroicidade das virtudes

O primeiro e mais abalizado biógrafo de São Domingos Sávio foi seu diretor espiritual e mestre, o grande São João Bosco. Dele extraímos os dados para este artigo.
 Filho de Carlos Sávio e Brígida Agagliate, Domingos Sávio nasceu em Riva, vila de Castelnuovo de Asti, em 2 de abril de 1842.
Desde pequeno foi dotado “de uma índole doce e de um coração formado para a piedade, aprendeu com extraordinária facilidade as orações da manhã e da noite, que rezava já quando tinha apenas quatro anos de idade”.
Certo dia, durante um almoço em sua casa oferecido a um visitante, não tendo este rezado antes de começar a comer, Domingos pegou seu prato e retirou-se a um canto. Seu pai perguntou-lhe depois por que fizera isso. Ele respondeu: “Não me atrevo a pôr-me à mesa com uma pessoa que começa a comer como o fazem os bichos”.
Quando tinha cinco anos, ia à igreja com sua mãe; sua atitude devota chamava a atenção de todos. Se o templo estava ainda fechado, ajoelhava-se junto à porta, e aí ficava orando até que fosse aberto, não lhe importando se chovia ou nevava, se fazia calor ou frio.
Nessa idade, aprendeu a ajudar a Missa, o que fazia com muita devoção, apesar da dificuldade que tinha para transportar o enorme missal.
Seu programa de vida: “Antes morrer que pecar”
 Chegado o tempo de aprender as primeiras letras, “como estava dotado de muito engenho, e era muito diligente no cumprimento de seus deveres, fez em breve tempo notáveis progressos nos estudos”.
Evitava todos os meninos arruaceiros e só estabelecia amizade com os de boa conduta.
Domingos confessava-se freqüentemente. Tão logo soube distinguir entre “o pão celestial e o terreno”, foi admitido à Primeira Comunhão, aos sete anos, quando na época a idade mínima para tal era 12 anos.
Pode-se perceber a maturidade do menino nos propósitos que deixou registrados nesse dia:
“Propósitos que eu, Domingos Sávio, me propus no ano de 1849, quando fiz a Primeira Comunhão, aos 7 anos de idade:
1o. Confessar-me-ei muito amiúde e receberei a Sagrada Comunhão sempre que o confessor me permita;
2o. Quero santificar os dias de festa;
3o. Meus amigos serão Jesus e Maria;
4o. Antes morrer que pecar.
Este último propósito, feito por um menino de tão tenra idade, mostra a que ponto haviam chegado sua precoce maturidade e sua virtude. Tornou-se ele seu programa de vida. Quantos meninos de 7 anos, hoje em dia, teriam semelhante propósito, sobretudo depois de terem sido massacrados por aulas da chamada “educação sexual”?
Calado, sofre injustiça por amor de Deus
Terminado o primário em Mondonio, para onde se havia mudado, Domingos tinha que ir até Castelnuovo duas vezes por dia, ida e volta, o que representava uma caminhada de quase 20 quilômetros diários. Para um menino de 10 anos, e franzino de compleição, era um esforço grande. Mas, movido pelo desejo de estudar para abraçar o sacerdócio, fazia alegremente o sacrifício.
Domingos, por sua inteligência e aplicação, obteve sempre o primeiro lugar na classe, além de outras distinções por seu bom comportamento e pelo cumprimento dos deveres.
Determinado dia, alguns colegas seus encheram de pedras a estufa da classe. Era uma grave falta de disciplina, que merecia como penalidade a expulsão dos infratores. Estes, porém, acusaram Domingos Sávio de ter sido o autor do ato. O mestre, um sacerdote, embora duvidando, teve que ceder ante as evidências que lhe apresentavam. Chamou Domingos, mandou-o ajoelhar-se na frente da classe, e diante de todos os seus colegas passou-lhe um pito, dizendo que só não o expulsava por ter sido sua primeira falta. Domingos abaixou a cabeça e nada disse.
No dia seguinte, descobriu-se a verdade. O sacerdote chamou então Domingos e perguntou-lhe por que não se havia justificado. Ele disse que queria imitar Nosso Senhor, que foi acusado injustamente e não se defendeu. Além do mais, sabia que sua defesa poderia ter causado a expulsão de outros alunos. Como seria sua primeira falta, sabia que seria perdoado.
Domingos Sávio: outro São Luís Gonzaga
Em 1854, Dom Bosco foi procurado por D. Cugliero, professor de Domingos, “para falar-me de um seu aluno, digno de particular atenção por seu engenho e piedade: — ‘Aqui nesta casa (o Oratório de Dom Bosco) é possível que tenhas jovens que o igualem, mas dificilmente haverá quem o supere em talento e virtude. Observa-o, e verás que é um São Luís’”.
Nessa ocasião Dom Bosco tomou conhecimento da existência de Domingos Sávio, que contava 12 anos. Ele assim o descreve: “Era Domingos algo débil e delicado de compleição, de aspecto grave e ao mesmo tempo doce, com um não sei quê de agradável seriedade. Era afável e de aprazível condição, de humor sempre igual. Guardava constantemente na classe e fora dela, na igreja e em todas partes, tal compostura, que o mestre sentia a mais agradável impressão somente com o vê-lo e falar-lhe”.
Conhecendo melhor o novo discípulo ao longo dos anos, afirmou ainda sobre ele Dom Bosco: “Todas as virtudes que vimos brotar e crescer nele, nas diversas etapas de sua vida, aumentaram sempre maravilhosamente e cresceram juntas, sem que uma o fizesse em detrimento de outra”. Era impressionante ver a seriedade com que cumpria com os menores deveres. “No ordinário, começou a fazer-se extraordinário. [...] Aqui teve começo aquela vida exemplaríssima, aquele contínuo progresso de virtude em virtude, e aquela exatidão no cumprimento de seus deveres, que dificilmente se pode avantajar”.
Declaração de guerra: morte ao pecado mortal
A devoção do pequeno Domingos para com Nossa Senhora era extrema. No dia 8 de dezembro de 1854, ano da proclamação do dogma da Imaculada Conceição pelo Bem-aventurado Papa Pio IX, ante o altar da Virgem, ele renovou seus propósitos da Primeira Comunhão e fez esta oração: “Maria, eu vos dou meu coração; fazei com que seja vosso. Jesus e Maria, sede sempre meus amigos; mas, por vosso amor, fazei com que eu morra mil vezes antes que tenha a desgraça de cometer um só pecado”.
Esse horror ao pecado era muito vivo em Domingos, que costumava dizer: “Quero declarar guerra de morte ao pecado mortal”.
Mas não era só ao pecado mortal. Dizia: “Quero pedir muito, muito, à Santíssima Virgem e ao Senhor que me mandem antes a morte que deixar-me cair em um pecado venial contra a modéstia”.
Isso não se obtém sem uma pureza angélica. Essa virtude terá sido obtida à custa de muita oração e vigilância? Ou, conforme declarou São João Rua, seu condiscípulo no Oratório, no processo de beatificação: “Tenho a convicção de que Domingos, por singular privilégio, não estava sujeito a tentações contra a castidade”.
Desejo intensíssimo de santidade
Seis meses após a entrada de Domingos Sávio no Oratório, Dom Bosco fez aos alunos uma preleção sobre o dever que todos têm de serem santos, e a facilidade que há nisso, caso se busque em todas as coisas a vontade de Deus com toda simplicidade. Isso inflamou beneficamente Domingos Sávio, que foi procurá-lo e disse: “Quero dizer-vos que sinto um desejo e uma necessidade de fazer-me santo. Nunca teria imaginado que alguém pode chegar a ser santo com tanta facilidade; mas agora que vi que alguém pode muito bem chegar a ser santo estando sempre alegre, quero absolutamente e tenho absoluta necessidade de ser santo”.
Procedendo como experimentado diretor espiritual, Dom Bosco relata: “A primeira coisa que lhe aconselhei, para chegar a ser santo, foi que trabalhasse em ganhar almas para Deus, pois não há coisa mais santa nesta vida do que cooperar com Deus na salvação das almas, pelas quais Jesus Cristo derramou até a última gota de seu preciosíssimo sangue”.
Domingos transformou esse conselho em programa de vida, tornou-se um batalhador. “Não deixava passar ocasião de dar bons conselhos e avisar a quem dissesse ou fizesse coisa contrária à santa lei de Deus”. Exclamava: “Quão feliz seria se pudesse ganhar para Deus todos os meus companheiros!”. Dizia também que gostaria muito de reunir as crianças para ensinar-lhes o catecismo. Tinha presente quantas crianças, ao chegar à idade da razão, corrompem-se moralmente e perdem suas almas. A esse propósito, observou: “Quantos pobres meninos se condenam talvez eternamente por não haver quem os instrua na fé!”
Zelo pela conversão da Inglaterra
Seu zelo ia muito além. Não se restringia à sua vida espiritual, seus horizontes eram largos. Várias vezes disse a D. Bosco: “Quantas almas esperam nossos auxílios na Inglaterra! Oh! Se eu tivesse forças e virtude, quisera ir agora mesmo, e com sermões e bom exemplo, convertê-las todas a Deus”. Ele teve mesmo uma visão a esse respeito, e pediu que Dom Bosco a comunicasse ao Papa, quando fosse a Roma.
Afirma São João Rua: “Era verdadeiramente admirável que em um jovenzinho de sua idade reinasse tanto zelo pela glória de Deus, até o ponto de sentir horror e mesmo sofrer fisicamente quando ouvia alguém blasfemar, ou via de qualquer modo ofender-se a majestade de Deus”.
Outro condiscípulo mostra seu amor combativo pela fé, contra as heresias: “Naqueles tempos, mais de uma vez encontrei emissários protestantes vindos expressamente ao Oratório para semear seus erros. E um dos mais solícitos para impedi-los nessa ação era o jovenzinho Domingos Sávio”.
“Sua oração predileta – afirma Dom Bosco – era a coroa ao Sagrado Coração de Jesus para reparar as injúrias que recebe dos hereges, infiéis e maus cristãos”.
Enfim, muita coisa poder-se-ia ainda dizer sobre São Domingos Sávio, que ultrapassaria os limites deste artigo. Ele faleceu santamente no dia 9 de março de 1857 aos 15 anos de idade. E Dom Bosco tinha tanta certeza de sua santidade e futura canonização, que, num epitáfio que lhe escreveu, diz: “[...] Os que, havendo experimentado os efeitos de sua celestial proteção, gratos e ansiosos, esperam a palavra do oráculo infalível de nossa Santa Mãe a Igreja”.

(Catolicismo)

DICIONÁRIO LITÚRGICO

Acólito - do grego (Acólytos) – Homem que recebe ministério do acolitato do Bispo ou de presbítero delegado por ele,  auxilia os ministros nas celebrações sagradas, distribui a comunhão eucarística como ministro extraordinário.

Ambão - Pequena tribuna, de onde são proclamados os textos sagrados, também conhecida como mesa da palavra, seu espaço é para uso exclusivo paras as leituras bíblicas, Oração dos fieis e pregação ou homilia.

Alfaias – Toalhas, manustergios, sanguíneos e outros tecidos usados para uso do altar.

Altar - Mesa da celebração eucarística. O Altar representa o próprio Jesus Cristo, deve-se ter respeito e reverência sempre.

Altar Lateral - Altar colocado na parede, capela ou nicho laterais.

Apóstolo - Palavra de origem grega que significa enviado. Eram os seguidores diretos de Jesus, enviados para propagar o cristianismo.

Assembléia  - O grupo de fiéis reunidos numa celebração litúrgica.

Báculo - Bastão em forma de cajado usado pelo Bispo como sinal de que ele é o pastor, representante de Cristo, o Bom Pastor, que guia as ovelhas, ou seja. Os fiéis. Quando celebra, o Bispo segura o báculo na entrada, durante a proclamação do Evangelho, na homilia e durante a oração do Creio ou profissão de fé. Nos outros momentos, fica na mão do coroinha ou acólito.
Baculífero - Encarregado pelo báculo e também de conduzi-lo até o Bispo.

Batistério - Local onde se administra o batismo.

Beatificação - Aprovação de uma pessoa como modelo cristão, para que possa ser cultuado. A beatificação é um passo para a canonização, na qual o beato é declarado santo. O beato pode ser cultuado apenas em alguns lugares (como um país ou a região em que viveu). Já o santo não tem essas restrições.

Bíblia - Conjunto de livros da Palavra de Deus, formado pelo Antigo e Novo Testamento.
Bispo - Responsável pela administração de uma diocese, maior unidade territorial da igreja. É o sucessor dos apóstolos. Está diretamente subordinado ao Papa.

Camerlengo - É o cardeal que administra a igreja entre a morte de um papa e a eleição de outro.

Campanário - Torre de sinos.

Canonizar - Processo de transformação de uma pessoa em santo.

Cardeal - Dignidade eclesiástica que compõe o Sacro Colégio pontifício e tem voto na eleição dos papas. É um título honorífico conferido pelo papa. Normalmente é dado a bispos ou arcebispos, mas pode ser ainda conferido pelo sumo pontífice a outras posições eclesiásticas, como padre, por exemplo. 

Catecismo - Manual que transmite a doutrina católica.

CELAM - Conselho Episcopal Latino-Americano.

CeroferárioEncarregado de levar  os castiçais nas celebrações. São estes que ladeiam o cruciferário na procissão.

Círio Pascoal - Grande vela de cera que representa Cristo Ressuscitado. É aceso pela primeira vez na Vigília Pascal. Deve ser preparado com antecedência para estar bem visível o desenho da cruz, as letras A e Z, primeira e última do alfabeto, que simbolizam Cristo, princípio e fim, e os números do ano, lembrando a história da salvação e o tempo decorrido desde a vinda de Cristo. Na cruz, são fixados cinco cravos, feitos de prego cobertos de cera misturada com incenso. Cada um deles representa uma das chagas de Jesus. É na chama do círio que são acesas as velas dos batizados, para simbolizar nova vida de ressuscitados em Cristo.
CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, uma organização de bispos. Não se inclui na hierarquia tradicional da igreja. 

Concílio - Reunião de bispos de um país, de uma região ou de toda a igreja. Neste caso, recebe o nome de concílio ecumênico.

Conclave - Assembléia de cardeais para a eleição do papa ou local onde eles se reúnem para tal fim.

Coro - É o lugar dos cantores litúrgicos.

Conopeu - Véu que cobre o sacrário ou as Ambulas.

Credência – Pequena mesa no presbitério onde são colocados os livros, as galhetas, etc., para que não fiquem sobre o altar. Mesinha onde ficam depositados os objetos sacros usados durante o ofertório e após a comunhão na Missa.

Cruciferário – Nas Celebrações Litúrgicas, carrega a cruz processional. Sempre ladeado pelas velas.

Diácono - É um homem ordenado para servir a Igreja. Ele recebe o sacramento da Ordem e tem funções próprias na liturgia, como proclamar o Evangelho, fazer homilia, proferir as orações em nome do povo e despedir a assembléia no final da celebração, celebrar batizados e assistir os casamentos como testemunha da Igreja.
Diocese - Parte da igreja sobre a qual um bispo tem jurisdição. Em geral, tem caráter territorial, mas há dioceses pessoais, como de bispos de comunidades nacionais em países estrangeiros.

Dogma - Ponto da doutrina estabelecido formalmente pela igreja. É de aceitação obrigatória para os fiéis.

Doxologia - É a proclamação em que o presidente da celebração resume o conteúdo dos gestos e ritos que fez. Logo após a consagração, ele reza - "Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre".
Encíclica - Carta circular pontifícia.

Epiclese - Súplica invocando o Espírito Santo nos Sacramentos.

Esmola - É o gesto que a Igreja pede a todo fiel como sinal de amor ao próximo. É dar sem interesse de reconhecimento ou recompensa. Especialmente no tempo da Quaresma, a esmola é sinal de conversão.
Estante – Pequeno móvel de madeira ou de metal sobre o qual se coloca o Missal, durante a Missa. É também substituída por almofada.

Espórtula - Quantia em dinheiro oferecida para manter as necessidades da celebração. Não é pagamento pelo sacramento, porque seu valor é ínfimo, não há preço que pague; nem é para substituir o dízimo, que tem outra finalidade.
Evangelho - Cada uma das narrativas da vida de Jesus que fazem parte do novo testamento, contidas nos evangelistas : Mateus, Marcos, Lucas e João. Jesus é o próprio Evangelho.

Fiel - Toda pessoa batizada. Aquele que professa a fé em Jesus Cristo ressuscitado e participa da Igreja. O conjunto de fiéis que celebram a liturgia se chama assembléia. O conjunto de todos os fiéis, vivos ou falecidos, se chama Igreja. Na liturgia os fiéis manifestam a sua fé através de gestos, sinais, respostas e cantos. Na vida os fiéis manifestam a sua fé vivendo o seguimento de Jesus e cumprindo o seu mandamento de amar ao próximo.
Fogo - Sinal de luz, calor, purificação e amor. É símbolo de Cristo, representado no círio, aceso no fogo da celebração da Vigília Pascal. É símbolo do amor de Deus, o Espírito Santo, porque foi em forma de línguas de fogo que desceu sobre os apóstolos no dia de Pentecostes (At 2). Normalmente está presente nas celebrações através da chama das velas e da lamparina acesa junto ao sacrário.
Galheta – Vaso normalmente de vidro ou metal, onde são colocados o vinho e a água usados na missa.

Genuflexão - 
Gestos de dobrar um dos joelhos, ao entrar na igreja  diante do sacrário e do Santíssimo.
Genuflexório Suporte para se ajoelhar.

Glória - É um louvor às três pessoas da Santíssima Trindade cantado ou recitado, depois do ato penitencial, nas Missas de domingo e solenidades. No tempo de Advento e Quaresma não se reza o Glória. Não se pode mudar a letra do Glória.
Homilia - É a explicação da Palavra de Deus, especialmente do Evangelho, com o objetivo de relacionar o texto com a vida dos fiéis. O ministro da celebração traz a mensagem da Palavra para a vida da comunidade, convidando os fiéis para praticar o que propõe. Deve relacionar-se com o assunto e a mensagem do Evangelho e com o motivo da celebração, conforme a realidade da assembléia. Sermão, pregação que o padre faz durante a missa.
Hóstia Magna (grande) – Pão sem fermento usado pelo padre na celebração da Missa.

Imposição das mãos -
É o gesto de bênção. É próprio apenas do Bispo impor as mãos sobre a cabeça dos fiéis; é o gesto de consagração, nos sacramentos da Ordem e Crisma. O sacerdote impõe as mão sobre pessoas ou objetos nas bênçãos que preside. Quando o ministro leigo abençoa, não impõe as mãos; conserva-as unidas faz a oração da benção e, no final, traça o sinal-da-cruz sobre si mesmo.
Incenso – Resina perfumada que se coloca no turíbulo com brasas.

Incenso - Sinal de festa e oração. É um perfume que sobe com a fumaça produzida por pequenos grãos colocados sobre brasas no turíbulo. Os grãos são feitos de uma goma perfumada extraída de árvores. Aquecidos pelas brasas do turíbulo, exalam suave perfume que subirá ao ar, como a oração dos fiéis sobe até Deus. O coroinha é responsável por encher a naveta com incenso. Durante a celebração, o presidente retira uma porção de incenso da naveta e a coloca no turíbulo. Nas Missas solenes são incensados o altar, o Santíssimo, o Evangelho e a assembléia.
Jejum - É um gesto de penitência. Representa que o homem está livre das coisas materiais e quer se converter a Deus, deixando de comer ou beber durante um certo tempo, como fez Jesus. Na Quaresma a Igreja pede que se faça jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, conforme o quarto mandamento da Igreja. Além desses dias, a pessoa pode fazer jejum em qualquer dia do ano, por um tempo que não prejudique a saúde, sempre tendo em conta o que Jesus disse a respeito dessa prática (Mt 5,16ss). Para comungar, é preciso estar em jejum pelo menos uma hora antes da comunhão.
Joelhos - O gesto de dobrar os joelhos ou permanecer de joelhos é sinal de adoração, humildade e penitência.
Lâmpada do Santíssimo - É o sinal da presença de Cristo. Deve estar acesa sempre que houver hóstia consagrada no sacrário. Pode ser usada uma vela, chamada óleo ou mesmo lâmpada elétrica.
Lava-pés - Celebração realizada na solene celebração eucarística da Quinta-feira Santa, à tarde ou à noite, em que doze pessoas são escolhidas na comunidade para representar os doze apóstolos na última ceia de Cristo, quando instituiu a Eucaristia e o sacerdócio. É um gesto de humildade do ministro, Bispo ou sacerdote, e disposição de todos para seguir o exemplo de Jesus.
Lavabo – Parte da missa em que o sacerdote lava as mãos. Vasos que contém água para lavar as mãos.
Lecionário – Livro com as leituras bíblicas da missa. Pode ser FERIAL (para os dias comuns), SANTORAL (festas dos Santos) e DOMINICAL (para os domingos).

Librífero
- Ministro do livro. Encarregado pelo Missal e outros livros durante a celebração. Fica também encarregado de conduzi-los ao celebrante.

Liturgia - Ação sagrada da Igreja, pela qual os fiéis glorificam a Deus e são santificados por ele, em Cristo, através de ritos sensíveis. O Concilio Vaticano II trata da liturgia na Constituição "Sacrosanctum Concilium", mencionada nos livros com a abreviatura SC. A Missa ou celebração da Eucaristia é o ponto alto da liturgia. Celebração com ritual estabelecido previamente pela Igreja Católica para o culto comunitário. A mais importante delas é a missa.
Luneta – Parte do ostensório, em forma de meia-lua, na qual se coloca a Hóstia Magna.

Mãos - As mãos têm função importante nas celebrações. É com elas que traçamos o sinal-da-cruz, ao iniciar a oração. Por elas completamos com a linguagem dos gestos o que expressamos em palavras. Observando as mãos do presidente da celebração e dos fiéis, entendemos melhor o sentido de cada rito - mãos dadas - expressam união e solidariedade; mãos estendidas - expressam oferta, participação; mãos levantadas - expressam oração e súplica; mãos postas - expressam oração e piedade.
Manustérgio – Pequena toalha usada no lavabo. Geralmente é parecido com o sanguíneo, diferenciado por ter uma cruz numa das extremidades.

Matraca - Utilizada como a sineta em algumas ocasiões.

Matrimônio - Celebração do sacramento do casamento. As flores, enfeites e fotografias não devem atrapalhar o principal, que é a presença de Cristo. As músicas devem ser escolhidas de modo que expressem a fé, e não qualquer idéia contrária à fidelidade do casal e à indissolubilidade do matrimônio, porque a música é uma forma de oração, que é expressão daquilo em que acreditamos.
Mitrífero - Ministro da mitra. Encarregado pela mitra e de levá-la ao Bispo.

Missa - Celebração do sacramento da Eucaristia. Foi chamada desde o início pelos primeiros cristão de eucaristia, Fração do Pão ou Ceia do Senhor. Quando a celebração era em latim, o sacerdote despedia-se dos fieis dizendo "Ite, missa est", que quer dizer - "Ide, enviados" ou "Ide, a missão foi dada". O ministro despede os fiéis e os envia a realizar a missão que recebemos. Aquilo que Cristo nos propõe no Evangelho devemos realizar no mundo - testemunhar o seu amor.
Missal – Livro usado durante a missa, pelo padre, onde estão as partes fixas, as orações dos diversos tempos litúrgicos. Livro que contém as orações e leituras e a fórmula das missas para cada dia e cada domingo do ano.

Música - A oração pode ser rezada ou cantada, com música. Esta deve ajudar a assembléia a unir-se a Deus na oração. Por isso é importante ouvir a voz do povo que canta, e não só o som dos instrumentos. A melodia e a letra devem estar de acordo com a celebração e o tempo litúrgico, evitando músicas populares, não litúrgicas. Algumas músicas, mesmo religiosas, não se prestam para a celebração eucarística. Outras, muito bonitas, com melodia agradável, têm uma letra que fala de idéias contrárias ao Evangelho e à fé, logo, não podem ser usadas nas celebrações.
Natal - Festa do nascimento de Jesus, celebrada no dia 25 de dezembro. O tempo do Natal vai do dia 25 de dezembro até duas semanas depois, com a festa do Batismo do Senhor. Estão incluídas nesse tempo a festa de Maria, Mãe de Deus, no dia primeiro do ano, e a Epifania do Senhor, chamada de dia de Reis, no domingo mais próximo ao dia 6 de janeiro. A cor dos paramentos é o branco, símbolo da alegria.
Nave - Corpo da igreja. A nave pode ser central, lateral.

Naveta - Pequeno recipiente em forma de barca, onde se coloca o incenso.

Naveteiro – Pessoa encarregada da naveta na celebração.

Novena -
Nove dias de oração que preparam um acontecimento ou festa que vai ser celebrada. É um jeito popular de rezar, especialmente para fazer um pedido, alcançar uma graça. A catequese deve ajudara as pessoas a compreender que a novena tem o sentido de favorecer a conversão, e não tem por objetivo conquistar um favor de Deus ou de um santo, como se fosse uma troca, um comércio.
Núncio - Embaixador do Papa em um pais.

Ofertas - É o que se leva para o altar para ser preparado e elevado a Deus junto com a oferta do próprio Cristo. Não pode faltar o pão (hóstias) e o vinho. Outros símbolos podem ser levados em procissão, enquanto a assembléia canta.
Oração dos fiéis - Oração em sinal de resposta a Palavra de Deus. As intenções devem relacionar-se com o tema do Evangelho e formular pedidos concretos pelas necessidades da Igreja, do governo, do mundo, dos que sofrem e pela comunidade que celebra. Uma pessoa diz a intenção e todos respondem conforme combinado antes - "Senhor, atendei a nossa prece", ou outra resposta semelhante. A oração é uma conversa com Deus e pode se expressar de muitos jeitos - canto, ladainha, fórmulas, espontaneamente, com a Bíblia, com a vida. Na celebração da Eucaristia o rito da Oração dos Fiéis vem logo após a homilia ou a oração do Creio.
Pão - É símbolo de alimento e vida. Na Eucaristia é oferecido e consagrado, na forma de hóstia, transformando-se no corpo de Cristo. O pão usado é feito de farinha de trigo muito pura e sem fermento. A transformação do pão em corpo de Cristo tem o nome de transubstanciação.
Papa - Sucessor vitalício do apóstolo Pedro, é bispo de Roma e autoridade máxima da igreja. O atual é Bento XVI, que sucedeu a João Paulo II.

Paramentos - São as vestes usadas na celebração pelos padres. O sacerdote usa túnica branca e estola conforme a cor do tempo litúrgico.
Paróquia - Divisão territorial da diocese sobre a qual um padre tem jurisdição.

Páscoa -Festa da ressurreição de Cristo. É a Eucaristia mais solene do ano litúrgico, sinal de vida nova, depois da conversão acontecida na Quaresma. É o tempo litúrgico que começa com a Vigília Pascal e se estende até o domingo de Pentecostes. Durante todo o tempo litúrgico da Páscoa, os paramentos devem ser brancos e o círio pascal deve ser mantido junto ao altar.
Patena - Serve de apoio para a hora da distribuição do Corpo de Cristo.

Penitência -
Há três modos normais de fazer penitência - oração, jejum e esmola. O Advento e a Quaresma são tempos de penitência, simbolizada na cor roxa dos paramentos. As cinzas é sinal de penitência. Chama-se também penitência o sacramento da confissão ou perdão dos pecados.
Pentecostes - Festa que acontece 50 dias depois da Páscoa. Celebra a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos (At 2). A cor dos paramentos é vermelha.
Presbitério - Lugar onde fica o altar, o presidente da celebração, padres concelebrantes, coroinhas. Em geral é mais alto, separado por um ou mais degraus da parte da Igreja onde fica a assembléia.
Presidente - É o ministro que dirige a celebração, com funções próprias. Quando é ordenado sacerdote, representa a pessoa de Jesus Cristo.
Primaz - O bispo que ocupa a diocese mais antiga de um país. No Brasil é o Arcebispo de São Salvador na Bahia.

Procissão - Gesto de um grupo numeroso que anda em uma direção, em fila, rezando e cantando. Simboliza a caminhada do cristão em união com os irmãos em direção a Deus.

Proclamação - É o anúncio solene da Palavra de Deus.


Quaresma - Tempo que dura quarenta dias e vai desde a Quarta-feira de cinzas até o sábado na véspera do Domingo de Ramos. A cor dos paramentos é roxa, sinal de penitência e humildade. A penitência da Quaresma deve ajudar a conversão, que se faz pela prática da oração, jejum e esmola. No quarto domingo da Quaresma os paramentos podem ser de cor rosa, anunciando as alegrias que viveremos na ressurreição. Durante a Quaresma não se reza ou canta o Glória nem Aleluia.
Querigma - Primeiro anúncio da paixão e morte de Cristo por nossos pecados e de sua ressurreição como promessa de vida eterna. É o primeiro conteúdo da pregação dos apóstolos (1Cor 15,3s; At 2,22-24; At 4,10) e também o conteúdo da evangelização que se aprofunda depois na catequese.
Ramos - Domingo em que começa a Semana Santa. Nele se celebra a entrada de Jesus em Jerusalém (Mc 11,1-10). Como lembrança daquele dia, os fiéis levam ramos bentos. Os ramos em geral são de folhas de palmeira. Nesse dia pode-se fazer uma procissão logo após a bênção dos ramos, antes da Missa. A cor do paramento é vermelha.
Rubrica - Anotações em vermelho, no missal, dando orientações práticas para a celebração.

Sacrário - Local onde ficam as âmbulas com as partículas consagradas. Tabernáculo.

Sacristão - Empregado que tem a seu cargo o trato de uma Igreja; paramentos, alfaias e que prepara tudo para a celebração.

Sacristia - Sala anexa à Igreja, onde são guardados os paramentos e objetos religiosos.

Salmo - Oração tirada da Bíblia. Na Missa pode ser recitado ou cantado. Chama-se salmo responsorial, porque é uma resposta à primeira leitura.

Santíssima Trindade - As três pessoas --Pai, Filho e Espírito Santo-- do Deus único, segundo a doutrina cristã.

Sínodo - Assembléia de bispos do mundo inteiro, que se reúne periodicamente para, sob a presidência do papa, tratar de problemas da igreja.

Sineta - Serve para alertar os fiéis em momentos específicos da celebração.

Turiferário - Ministro do turíbulo, que coloca brasas e incensa.

Umbela - Espécie de sombrinha utilizada algumas vezes em procissões.

Vênia
 - ReverênciaInclinação com a cabeça em sinal de veneração.

Véu do Cálice - Serve para cobrir o cálice em algumas ocasiões.

Viático - Sacramento da eucaristia administrado ao enfermo para indicar-lhe o caminho da fé, ou o do Cristo que segue o caminho (via ) em busca do enfermo.